domingo, 13 de dezembro de 2009

Historia da Escócia

História da Escócia

Origens da Escócia
Há indícios da presença humana na Escócia desde o Mesolítico (provavelmente 5000 a.C.). Os obanianos, que habitaram o local por volta de 3000 a.C., já possuíam embarcações e utilizavam arpões com pontas de osso. Os vestígios encontrados dos povos agricultores e criadores do Neolítico indicam que penetraram de Yorkshire para o estuário do Moray. As espadas e pontas de lanças que, com os machados de bronze, marcam o início da Idade do Bronze na Escócia (900 a.C.) indicam a ocorrência de guerras. A Idade do Ferro, que começou após 500 a.C., assinala o início do tribalismo céltico que foi encontrado pelos invasores romanos.

Consolidação do Reino (1058-1286)
A unificação do reino escocês foi a principal realização dos descendentes de Malcolm II Canmore e sua esposa Margaret da Escócia (posteriormente canonizada). Essa dinastia ocupou o trono até a morte de Alexandre III em 1286. O casamento entre membros das dinastias inglesa e escocesa estreitou os laços entre os dois reinos. Muitas instituições escocesas foram criadas segundo o modelo inglês e várias famílias normandas da Inglaterra estabeleceram-se a partir de então na Escócia. Por volta de 1266 a dinastia Canmore exercia o controle de toda a Escócia; mas, na parte central das Terras Altas e nas áreas cedidas pelos nórdicos, esse controle era ainda apenas nominal.

O contacto com a Inglaterra e com o continente propiciou o desenvolvimento do comércio e a formação dos burgos. Os mais antigos burgos da Escócia foram Edimburgo, Stirling, Berwick e Rexburgo, mas outros surgiram, de modo que no séc. XIII já constituíam uma rede na região das Terras Baixas.

Guerras da independência
A morte de Alexandre III em 1286 tornou imediato o problema pendente há dois séculos sobre as relações entre a coroa escocesa e a inglesa. Como os dois únicos herdeiros de Alexandre haviam morrido, surgiram disputas entre descendentes mais afastados dos reis escoceses. Por influência de Eduardo I da Inglaterra, venceu afinal John Balliol (reinado 1292-96), que, não resistindo às exigências do rei inglês, encontrou a oposição dos barões escoceses, que se aliaram a Filipe IV da França. Eduardo I invadiu a Escócia em 1296, encontrando severa resistência. Em 1306, Robert Bruce, um dos pretendentes ao trono escocês, revoltou-se contra o domínio da Inglaterra e fez-se coroar rei em Scone. Eduardo II, filho de Eduardo I, não foi capaz de levar avante a guerra mantida por seu pai, e, por volta de 1314, quase todos os castelos ingleses da Escócia haviam sido conquistados pelas forças de Bruce. Mas a Inglaterra só reconheceu o trono escocês em 1328.

Bruce faleceu em 1329, e o primeiro rei escocês a ser ungido e coroado foi seu filho, David II (1329-71). Edward de Balliol, filho de John de Balliol, conseguiu, após várias lutas, apossar-se do trono, com o auxílio da Inglaterra, que recebeu em troca grande parte do sul da Escócia. A resistência prosseguiu no norte e no oeste até que os escoceses conseguiram reaver a maior parte de seu território. Mas a contínua e prolongada guerra contra os ingleses desorganizou a economia e enfraqueceu a autoridade do rei, fortalecendo os barões, que recebiam grandes concessões territoriais para apoiar a coroa escocesa. Uma instituição política beneficiou-se, porém, desse período conturbado: o parlamento. Necessitando levantar dinheiro para as lutas, os reis por várias vezes reuniram assembléias de nobres e representantes dos diversos burgos.

Fortalecimento da Monarquia
No século XV, os reis escoceses procuraram restaurar sua autoridade. Jaime I da Escócia (1394-1437), ao voltar da Inglaterra, onde estivera cativo durante 18 anos, neutralizou a influência dos Stewart, duques de Albany, que haviam exercido a regência do trono em sua ausência. Seu sucessor, Jaime II (1437-60), destruiu, por sua vez, o poderio dos Douglas. Jaime III (1460-88) estendeu o controle efetivo da coroa aos territórios do norte e do oeste ao reprimir uma rebelião (1475) liderada por John MacDonald, Conde de Ross; ganhou também as ilhas Órcades e Shetland, ainda sob controle nórdico. Jaime IV (1488-1513) consolidou o poder real naquelas ilhas e nas Hébridas, mas faleceu na batalha de Flodden (1513), quando auxiliava a França na luta contra a Inglaterra.

Após um período conturbado durante a minoridade de Jaime V (1513-42), este assumiu o poder e continuou com a política de aliança com os franceses. Henrique VIII da Inglaterra invade então a Escócia e a armada escocesa é derrotada na batalha de Solway Moss (1542). Jaime V morre no mês seguinte, uma semana antes do nascimento de sua única herdeira, Maria Stuart. As disputas com a Inglaterra prosseguiram durante a regência do conde de Arran, que entrou em acordo com os franceses para a realização do casamento de Maria com Francisco (mais tarde Francisco II de França), herdeiro do trono francês (1558).

O movimento em prol da reforma protestante na Escócia recebeu o apoio de Elizabeth I da Inglaterra, que sentia seu trono ameaçado pelas pretensões de Maria Stuart, católica e agora esposa de Francisco II. Quand Maria Stuart regressou à Escócia (1561), viúva (Francisco II morreu em 1560), encontrou um ambiente de hostilidade à França e ao catolicismo. O curto período de seu reinado (1561-1568) foi cheio de incidentes: disputas com o reformista John Knox; assassinato de seu segundo marido Lord Darnley (1567); seu terceiro matrimônio com um dos suspeitos do crime, James Hepburn, conde de Bothwell; sua abdicação em favor do filho, Jaime, e aprisionamento no Castelo de Lochleven, de onde fugiu um ano depois; derrota final em Langside e fuga para a Inglaterra (1568), onde ficou presa até ser executada em 1587. Ambicionando suceder a Elizabeth no trono da Inglaterra, Jaime VI, filho de Maria Stuart, evitou desagradar a soberana inglesa, mesmo após a execução de sua mãe.

Reforma protestante
A história da Escócia encontra-se a partir do século XVI sob o signo da Reforma Protestante. A face da Escócia irá mudar completamente pela mão de Calvinistas como John Knox. Apesar das perseguições que lhe foram movidas, John Knox é a figura carismática que está na base da Kirk, a igreja presbiteriana escocesa. Na linha do Calvinismo, a igreja presbiteriana pretende erradicar a influência da igreja católica na Escócia. Recusa a veneração de santos, relíquias e de figuras ornamentais. Acabou com determinadas formas de divertimento colectivo tais como o carnaval ou as celebrações de Maio. É imposta uma estricta proibição do trabalho ao domingo, quase tão rigorosa como a dos judeus ortodoxos no Shabbat - pessoas podiam ser presas por depenar uma galinha ao domingo. Os jogos de cartas foram banidos. A igreja presbiteriana escocesa professa o comportamento purista (ou puritano) de todos segundo a moral cristã e seus valores. Fornicação é punida severamente, mesmo com o exílio. Adultério é punido com a morte.

O paradoxo da história da Escócia é que este fundamentalismo religioso dos séculos XVI e XVII, que instauraram aquilo que foi quase uma teocracia, é também o fundamento para o desenvolvimento do iluminismo escocês, a tolerância religiosa, o capitalismo, numa palavra, a modernidade.

Este paradoxo fica bem patente nos acontecimentos do ano de 1696, que se pode dizer que foi um ano de transição entre o predomínio do fundamentalismo religioso para o sistema de social que consideramos hoje moderno.
1696 - Ano de transição
Em 1696 foi condenado à morte o estudante de Teologia de 18 anos Thomas Aikenhead. Seu "crime": uma piada contada aos seus colegas de estudos. Estava tão frio que ele preferia o calor do inferno. Foi denunciado e encarcerado. Veio-se a descobrir que este livre pensador já tinha expresso algumas ideias pouco ortodoxas e desfavoráveis ao cristianismo.
Em 1696, o Parlamento Escocês aprovou o "Act for setting schools". Cada paróquia escocesa deverá ter pelo menos uma escola e empregar um professor. Todos os escoceses deverão aprender a ler (um luxo reservado aos nobres, na altura). O objectivo: que todos os escoceses possam ler as escrituras sagradas. Já em 1560, John Knox defendera na sua obra "Livro de disciplina", a instauração de um sistema de educação nacional.
O resultado é surpreendente. No espaço de uma geração, a educação tinha-se tornado gratuita. Algo de pouco comum senão inédito no século 18. Nos finais do século 18 a Escócia tinha-se tornado no país com a menor taxa de analfabetismo do mundo. Visitantes ingleses admiravam-se com o facto de neste país, que nem sequer era muito rico, até os pobres eram ensinados a ler.

É neste período que intelectuais escoceses de renome internacional como David Hume ou Adam Smith ou inventores como James Watt surgem na linha da frente do progresso científico mundial.

A Escócia tinha-se tornado a primeira nação europeia alfabetizada. Isso significava que estava criada uma audiência não apenas para a Bíblia mas para outros livros também. À medida que no século 18 a censura afrouxava, verificou-se uma autêntica explosão de produção literária. Mesmo as pessoas de posses mais modestas tinham agora a sua própria colecção de livros. Aqueles que não os podiam comprar tinham agora a possibilidade de os emprestar nas bibliotecas públicas escocesas, que por volta de 1750 existiam em virtualmente todas as cidades, de qualquer tamanho.

Por exemplo: em Innerpeffray, uma povoação perto de Crieff em Perthshire. Os registros da livraria pública desta pequena povoação entre os anos de 1747 e 1800 dão conta das pessoas que tomaram livros emprestados para sua casa. A lista inclui o padeiro local, o ferreiro, lavradores, pedreiros, alfaiates e empregadas domésticas. Entre os livros emprestados contavam-se muitos livros religiosos mas mais de metade eram livros de temas seculares. Encontramos nesta lista obras de John Locke, o naturalista do iluminismo francês Georges-Louis Leclerc, conde de Buffon e o historiador escocês William Robertson.
União das duas coroas
Jaime VI, filho de Maria Stuart, ascendeu ao trono inglês, como Jaime I, em 1603. Carlos I (1625-49), tentando uniformizar o governo e o culto religioso da Escócia com a Igreja da Inglaterra, provocou distúrbios. A convocação nacional, protestando contra as inovações eclesiásticas, foi assinada em 1638 e, no mesmo ano, uma assembléia-geral aboliu o episcopado. Em agosto de 1642 irrompeu a luta entre Carlos I e seus oponentes ingleses. Ambas as partes procuravam obter o apoio dos escoceses, que resolveram ajudar a oposição parlamentar inglesa, em troca de um acordo pela unidade religiosa com base no presbiterianismo. Os realistas foram derrotados na Inglaterra e na Escócia, e Carlos I rendeu-se aos escoceses em 1646. Não chegando a um acordo com o rei, os escoceses devolveram-no à Inglaterra. O exército inglês, sob a direção de Oliver Cromwell, tornara-se a maior força política do reino, preferindo a independência religiosa ao presbiterianismo. Convencionais conservadores conseguiram obter do rei um compromisso de estabelecimento do presbiterianismo nos dois reinos por três anos, e foram à luta em defesa do rei, sendo esmagados em Preston em 1648. No ano seguinte, Carlos I foi executado (1649). Em 1651 toda a Escócia estava em poder de Cromwell, que adotou uma política justa em relação à religião conquistada, mas não ganhou a simpatia dos escoceses, descontentes com os pesados impostos.

Restauração e revolução
Embora descontentes com a união cromwelliana, os escoceses não tomaram a iniciativa na restauração do poder de Carlos II (1660-85). Este, ao contrário do que esperavam os presbiterianos, reinstalou o episcopado e reprimiu a oposição religiosa, iniciando-se um período de agitaçao popular e repressão, que se tornou mais aguda quando subiu ao trono o católico Jaime VII (1685-88). A Escócia apoiou a revolução de 1688, mas só agiu abertamente contra o clero episcopal quando soube que o rei havia fugido e Guilherme de Orange (Guilherme III da Grã-Bretanha) assumira o poder. A revolução estimulou nos escoceses o desejo de progredir.

União dos parlamentos
Durante o reinado da rainha Ana (1702-14) a união entre a Escócia e a Inglaterra tornou-se mais estreita com a fusão dos dois parlamentos (1707), pela qual ficava também assegurado o direito de livre comércio em toda a Grã-Bretanha e seus domínios. Mas um foco de rebelião continuou nas Terras Altas e quatro tentativas foram em favor dos Stuarts. O parlamento não representava realmente o povo, mas uma minoria de nobres e senhores de terras. Os membros do partido dos whigs, estimulados pela Revolução Francesa, iniciaram um movimento pela reforma do parlamento, sendo reprimidos. O administrador da Escócia era o despótico Henry Dundas, do partido dos tories. Durante esse episódio, a economia do país passava por transformação radical. A agricultura foi modernizada, o comércio tomou impulso e a industrialização teve início com a instalação de manufaturas e a abertura de minas de carvão no oeste.

[editar] O fracasso da colonização escocesa e suas consequências
Nos finais do século XVII, num ímpeto de afirmação nacionalista, os escoceses vão enveredar por um caminho ruinoso na tentativa de estabelecer um império comercial paralelo ao concorrente inglês concorrendo a sós com todas as outras nações mercantis (França, Espanha, Portugal, Holanda...). Claramente, para os escoceses, o modelo de desenvolvimento era o reino da Inglaterra, uma potência mundial. Em 1694 tinha sido fundado o Banco da Escócia, seguindo a mesma estructura que o recentemente fundado Banco de Inglaterra.

Em 1695, o parlamento escocês iria decidir enveradar por um novo plano que copiava o modelo inglês, desta vez num empreendimento que se demonstraria ruinoso: o estabelecimento de uma companhia de comercio marítimo e a colonização do Ultramar com capitais exclusivamente escoceses, concorrendo com os Ingleses e com as demais nações comerciais. Este elefante branco da economia escocesa ficou conhecido pelo nome da companhia Darien com as desastrosas expedições ao Istmo do Panamá, que resultaram na perda de cerca de 2.000 vidas e a ruina de muitos escoceses.

O Tratado de União de 1707
(Artigo principal: Tratado de União de 1707)

Com a ruina da companhia Darien tinha-se tornado claro que a Escócia não estava em situação de poder financiar e empreender o comércio internacional sem o apoio de terceiros. No princípio do século XVIII o desenvolvimento económico passava pelo comércio com o novo mundo. Os ingleses viram aqui uma oportunidade de propor a união política da Escócia e da Inglaterra, uma medida impopular na Escócia. Mas uma medida com vantagens para os dois lados. Por um lado, os ingleses asseguravam o controlo político da Escócia. Em contrapartida ofereciam aos escoceses o direito ao comércio nas zonas da sua influência.

Em 1707 foi ratificado pelo parlamento escocês o tratado que o abolia. A Escócia e a Inglaterra uniram-se politicamente. Foram concedidos 45 lugares no parlamento inglês (Westminster) a deputados escoceses. A Escócia manteve a sua religião presbiteriana inatacada e o seu sistema legal independente da Inglaterra.

Período de reformas
Nos reinados de Jorge VI (1820-30) e da rainha Vitória (1837-1901) efetuaram-se várias reformas de caráter liberal (aumento do número de eleitores e de cadeiras, voto secreto etc.) no parlamento e na administração. Durante esse período, os liberais (whigs) ganharam todas as eleições gerais realizadas na Escócia.

A economia da região passava por profunda transformação, principalmente no setor da indústria metalúrgica, que se tornou a base da economia escocesa. A população das cidades cresceu extraordinariamente: 60% dos habitantes passaram a viver em 11% da área total.

Século XX
O período da I Guerra Mundial foi de intensa atividade industrial, mas de privações para a Escócia que, no entanto, não sofreu diretamente grandes danos como a Inglaterra bombardeada duramente. O mais importante fato político dos anos

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